Lamborghini Miura

O Miura está para os automoveis, assim como o Péle está para o futebol.
Ele é considerado o primeiro desportivo de produção a usar motor central. Muitas pessoas dizem mesmo que o Miura foi o primeiro verdadeiro supercarro desportivo.
Lançado em 1966, apenas três anos depois da Lamborghini ser fundada.

A Lamborghini, como todos sabem, surgiu por causa de uma discussão. Ferruccio Lamborghini teve a ousadia de criticar um dos desportivos de Enzo Ferrari, o que levou il Commendatore a responder-lhe á letra, dizendo que Ferruccio era só um fabricante de tractores que não entendia nada de carros.
Para provar a Enzo o contrário, criou a sua própria marca, Lamborghini fundou a companhia com o mesmo nome.
O primeiro modelo da Lamborghini foi o 350GT, um coupê com um motor V12 dianteiro, de espírito semelhante aos carros de rua da Ferrari e da Jaguar no início da década de sessenta.
Bonito, elegante e sobretudo muito potente, o 350GT foi bem sucedido o bastante para provar que a Lamborghini poderia continuar a fazer mais do que tractores.
O 350GT foi um carro incrível de 400 cv, mas nada de revolucionário, exigia-se mais, a Ferrari continuava a ser a melhor.
350 Gt

 O Miura foi o carro que se seguiu, seria aquele que mudaria o rumo das coisas, capaz de deixar o pessoal de Maranello desnorteado.
O Miura foi o primeiro carro de produção em massa com motor central. Mas essa configuração já existia em carros de corridas desde as décadas de 30-40. O Porsche 550 Spyder, o Ford GT40 e o De Tomaso Vallelunga..

A Lamborghini provou estar bem à frente do seu tempo ao criar um carro de rua com motor central. Na verdade, quando eles apresentaram o chassi num evento em 1965, todos acharam que seria um carro de corrida.
O Miura é um nome de um touro, visto que Lamborghini apelidava as suas criações com nomes de touros, devido ao seu fanatismo por touradas. Estreou no Salão de Genebra em 1966 diante de uma plateia boquiaberta. Todos foram conquistados pelo visual sedutor, com assinatura de bertone.

O carro tinha o perfil parecido com o de um tubarão, de um predador, com alguns recursos estéticos como entradas de ar nas colunas B e faróis que ficavam rentes ao capô, quando não usados.

O V12 4.0 atrás do motorista em posição transversal era emprestado do Lamborghini GT400, o motor foi retrabalhado e rendia mais de 350 cv. Um número que impressiona até hoje, o seu peso era de apenas1.270 kg. O Miura vencia fácil. A Ferrari estava sem hipotse nenhuma, 6 segundos dos 0 aos 100 e com uma velocidade máxima de 273 km/h, tornava-se o carro mais rápido do mundo.

Só poderia vir a ser um sucesso. Astros do rock e outras celebridades faziam filas para chegar perto, enquanto a Lamborghini cobrava quatro vezes mais do que o preço de um Jaguar E-Type. Foram produzidos 474 carros nos primeiros três anos.
Mas o carro não era perfeito. O seu comportamento dinâmico era imprevisível, e alguns dos primeiros carros tinham até tendências incendiárias. Ainda assim, o seu desempenho era inegável e foi, por algum tempo, incomparável.

E o Enzo? Como ficou? Entrou nos motores centrais? Não!. Enzo era ele mesmo, a Ferrari preocupava-se com o facto de carros com motores centrais serem demasiado perigosos para condutores inexperientes e temia que isso estraga-se a sua reputação.
A Ferrari tentou responder com o  Dino no fim dos anos sessenta, mas nenhum Ferrari chegava a ser rival de verdade para o Miura, só em 1973, saiu o incrivel 512 Berlinetta Boxer, com seu boxer de 12 cilindros.
 Ferrari 512 Berlinetta Boxer

No entanto a Lamborghini, continuou a lançar versões mais leves e potentes que o Miura como o P400S, com um chassi reforçado e 370 cv.

Mas o último e melhor Miura foi o SV, que tinha 380 cv.
O Miura saiu de linha em 1972. Dois anos depois era lançado o Countach, um carro que conseguiu o feito de ser semelhante ao Miura em vários aspectos, e radicalmente diferente ao mesmo tempo.

O Miura foi importante por várias razões. Primeiro, porque lançou a faisca para que se desse a guerra entre a Lamborghini e da Ferrari — guerra que dura até hoje. Muitos outros fabricantes de supercarros tentam entrar também, mas no fim todas as atenções voltam-se para estes dois.
Segundo: o Miura mostrou ao mundo que a configuração de motor central-traseiro não era apenas para carros de corrida. O McLaren F1, o Audi R8, o Porsche Carrera GT, e até as Ferrari que vieram depois — todos são filhos do Miura.
Então na próxima vez que você discuta com alguém sobre o seu supercarro favorito, agradeçam ao Miura. Deve-se muito a ele.

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